Síndrome do impacto (“tendinite”, “bursite”) / lesão (rotura) do manguito rotador
Tendinite calcária
Capsulite adesiva (ombro congelado)
Instabilidade do ombro / luxação recidivante/ SLAP lesion
LER-DORT/ tendinites/ epicondilites/ fibromialgia/ síndromes compressivas





SÍNDROME DO IMPACTO ("BURSITE" - "TENDINITE")
LESÃO (ROTURA) DO MANGUITO ROTADOR

1 - Toda dor de ombro é bursite?

Não. Bursite não é nome de doença.
Bursite é uma manifestação presente em várias doenças do ombro: Síndrome do impacto, rotura do manguito rotador, artropatia do manguito rotador, tendinite calcária, SLAP lesion, tendinite do bíceps, artrose acromio-clavicular, capsulite adesiva e etc.

2 - O que é a síndrome do impacto?

A síndrome do impacto é o que antigamente chamava-se de “reumatismo” ou “bursite” do ombro.
Síndrome do impacto é o nome dado a doença causada pelo atrito que ocorre nos tendões que movimentam o ombro.
Este atrito ocorre entre dois ossos: o úmero (braço) e o acrômio (ponta do ombro).
O impacto ocorre, principalmente, quando dormimos, trabalhamos com o braço acima da cabeça ou, quando abduzimos o braço (movimento de abrir o braço para o lado).
Isto ocorre porque nessas situações diminui o espaço entre os dois ossos.


3 - Quais fatores favorecem a Síndrome do Impacto?

1) A forma e a espessura do osso acrômio - Normalmente o acrômio deve ser reto e fino.
Quando esse osso é curvo ou espesso há uma predisposição para o impacto.

2) A qualidade do tendão - Pacientes com essa doença apresentam um tendão com qualidade prejudicada (resistência, consistência, elasticidade, hidratação, etc.).

3) Envelhecimento - O envelhecimento leva a formação de esporões nos ossos e diminui a força e resistência dos tendões.

4) Microtraumas repetitivos – Movimentos repetitivos favorecem o atrito.


4 - O que é o Manguito Rotador? Manguito Rotador é o nome dado ao conjunto dos quatro tendões que cobrem e movimentam a articulação do ombro. Esses tendões são os afetados na Síndrome do impacto.

5 - Quais os estágios ou fases desse impacto?

1°) Síndrome do Impacto – Ocorre o atrito mas não há rompimento do tendão. Caracteriza-se por tendinite e bursite.


Tendinite

Bursite

2°) Rotura parcial do manguito rotador – O atrito é mais intenso chegando a romper parcialmente o tendão.

3°) Rotura completa do manguito rotador – O atrito é ainda maior. Ocorre rompimento do tendão em toda a sua espessura.


Rotura com retração do coto tendíneo

4°) Artropatia do manguito rotador – Há um grande rompimento dos tendões levando ao desgaste e envelhecimento da articulação (artrose).

6 - Quais são os sintomas da Síndrome do Impacto ou Rotura do Manguito Rotador?

O principal sintoma é a dor. A dor geralmente é pior à noite e ao trabalhar com o braço acima da cabeça (pegar objetos em armário alto, lavar a cabeça, pentear-se). Fraqueza, barulho (crepitação) e perda de movimento são outros sintomas.

7 - Como se faz o diagnóstico?

A melhor maneira para fazer o diagnóstico é a conversa e exame físico.
Para complementar o diagnóstico, pode-se associar alguns exames (Raio X, ultrassonografia, ressonância magnética).

8 - Qual o tratamento?

Varia conforme a gravidade do caso que será avaliada pelo médico.
Para a maioria 85%, o tratamento inicial é com medicamentos e fisioterapia. Para outros 15%, o tratamento é a cirurgia. Antigamente, a cirurgia era feita da maneira tradicional com cortes.
Atualmente, na maioria das vezes, o tratamento cirúrgico é feito por videoartroscopia, isto é, com uso de microcâmeras e mini-cortes na pele.

9 - Qual o resultado com o tratamento?

O resultado com o tratamento adequado é bom ou excelente na maioria dos pacientes.

10 - Por que quem tinha “bursite” antigamente muitas vezes não melhorava?

Porque no passado nem sempre era possível fazer diagnóstico diferencial entre as várias causas de bursite, e, somente com o diagnóstico preciso é que o tratamento correto pode ser realizado.
Além disso, recentemente, houve grandes avanços nos meios de diagnósticos e tratamentos das doenças do ombro.



1- O que é tendinite calcária?

É uma doença caracterizada pelo depósito de calcificações dentro dos tendões que movimentam o ombro (manguito rotador). Afeta principalmente mulheres entre 30 e 50 anos. Acomete mais o lado direito (em 25% é bilateral).
O depósito de cálcio ocorre por características próprias da vascularização do tendão. Não tem relação com dieta.

2- Quais são os sintomas?

Muitos casos são assintomáticos. O principal sintoma é a dor, que varia de leve e crônica a súbita e intensa.
Outros sintomas são o desconforto e limitação de movimentos. Não há relação entre o tamanho da calcificação e a intensidade dos sintomas.
A simples presença do cálcio não causa dor. O que causa dor é a tentativa de reabsorção do mesmo, o que ocorre por acaso, porém determina grave crise de dor.

3- Qual o tratamento? Qual o resultado com o tratamento?

O tratamento inicial é com medicamentos e fisioterapia. Quando estes não resolvem, sendo as crises fortes e limitantes, indica-se o tratamento cirúrgico.
Atualmente, a cirurgia é feita por videoartroscopia, isto é, com micro-câmera e mini-cortes na pele.
Com o tratamento adequado, os resultados são bons ou excelentes na maioria dos casos.



CAPSULITE ADESIVA (OMBRO CONGELADO)

1- O que é capsulite adesiva? Quais são as suas 3 fases?

É uma doença do ombro caracterizada por dor e rigidez (perda de movimentos) do ombro. Ela ocorre por contratura da cápsula articular. Afeta principalmente mulheres entre 40 e 65 anos. Apresenta 3 fases: dolorosa, de congelamento e de descongelamento.

2-Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é pela conversa e exame físico com o Especialista. Fazer o diagnóstico precoce (antes de perder os movimentos) não é uma tarefa fácil. O médico deve estar atento para não se confundir com outras doenças do ombro (até porque outra doença pode estar presente).
Não existe exame específico laboratorial ou radiológico. O único exame complementar que pode fazer o diagnostico é a resonância magnética com contraste ( artro-ressonância ).

3- O que favorece o seu aparecimento? Qual a sua evolução?

Pacientes com doenças do ombro, diabetes, depressão, ansiedade, cirurgia mamária, doenças da tireóide e neurológicas, tem maior risco. A capsulite adesiva mesmo se não for tratada,tem cura espontânea em cerca de 1 a 2 anos. Porém, devemos tratá-la para que os sintomas (dor e limitação de movimentos) sejam menos intensos e durem por menos tempo.

4- Qual o tratamento?

O tratamento é clínico na maioria dos casos. Ele consiste de vários medicamentos, bloqueios anestésicos do nervo suprascapular com marcaina e fisioterapia. O paciente deve ter persistência e empenho. O tratamento pode ser longo. Nos raros casos em que o tratamento não evolui bem, existe a possibilidade da cirurgia por videoatroscopia, isto é, com micro-câmeras e mini-cortes.



1 - O que é instabilidade do ombro?

A instabilidade do ombro é o que popularmente chamamos de “ombro que sai do lugar”. Instabilidade do ombro é o nome dado a doença, em que o paciente não tem firmeza, segurança da articulação.

2 - Quais fatores predispõem para a Instabilidade do ombro?

A - Acidentes – Um trauma de grande impacto pode levar a alterações ósseas, tendinosas, ligamentares e/ou articulares.

B - Hiperelasticidade articular generalizada – Há pacientes que nascem com frouxidão articular, apresentando um movimento acima do normal.

C- Alterações anatômicas congênitas – A ausência de alguns ligamentos do ombro podem ocorrer por mal formação desde o nascimento.

3 - Por que tantos pacientes apresentam Instabilidade no ombro?

A articulação do ombro é a que apresenta maior movimento no corpo. O maior movimento ocorre porque quase não há encaixe ósseo entre os ossos da articulação do ombro.
O que ocorre, é mais ou menos, o equilíbrio de uma bola de futebol sobre um prato raso.
Esse pequeno encaixe ósseo, permite grande movimento e facilita para que a articulação saia do lugar.

4 - Então, por que o ombro não “sai do lugar” em todo mundo?

Porque existem os ligamentos glenoumerais e o lábio que estabilizam a articulação.

5 - Quais são os tipos de instabilidade?

1º) Frouxidão articular sem instabilidade – O ombro tem movimento aumentado, pode sair parcialmente do lugar, mas não causa dor.

2º) Frouxidão articular com instabilidade – O ombro tem movimento aumentado, sai parcialmente do lugar e causa dor.

3º) Luxação atraumática – O ombro sai do lugar, sem um trauma grave inicial. Ocorre nos pacientes que tiveram um trauma menor (às vezes só um movimento brusco). O que predispõem é uma frouxidão de nascença do ombro.

4º) Luxação traumática – O ombro sai do lugar após um trauma grave inicial. Geralmente tem que ir ao hospital para “colocar o ombro no lugar”.

5º) Luxação voluntária – O ombro sai do lugar quando o paciente quer. Geralmente em adolescentes que querem chamar a atenção de colegas ou familiares.

6º) SLAP Lesion

6 - O que é luxação?

Luxação não significa contusão (batida forte). Luxação é quando a articulação sai do lugar.

7 - O que é SLAP Lesion?

É a desinserção (soltura) do tendão do bíceps dentro da articulação.
Ocorre em cerca de 20% dos casos de luxação.
Só pode ser diagnosticada com certeza e tratada através da videoartroscopia. Até mesmo a ressonância magnética pode falhar no diagnóstico.
Atualmente, não há tratamento para esta doença por via tradicional (com cortes).
A SLAP Lesion pode ocorrer ainda de maneira isolada, não associada à luxação.

8 - Quais são os sintomas da Instabilidade?

O principal sintoma é a falta de segurança, de firmeza da articulação.
A dor geralmente também esta presente. O paciente deixa de fazer certas atividades e certos movimentos porque percebe que se os fizer, o seu ombro sairá do lugar.

9 - Como se faz o diagnóstico? A melhor maneira para fazer o diagnóstico é a conversa e exame físico.
Para complementar o diagnóstico, pode-se associ8ar alguns exames (Raio X, ultrassonografia, artrografia e, raramente, a ressonância magnética).

10 - Por que se deve tratar?

1º) Para que o paciente volte a ter firmeza e confiança no seu ombro, podendo voltar a trabalhar e a fazer alguns esportes.

2º) Porque cada vez que o ombro sai do lugar, fica mais fácil que isto se repita.

3º) Porque cada vez que o ombro sai do lugar, aumenta a lesão óssea e da cartilagem, levando ao envelhecimento precoce da articulação.

4º) Porque há risco de causar outras doenças dentro da articulação (ex. SLAP Lesion) agravando a frouxidão e aumentando a dor.

11 - Qual o tratamento?

Varia conforme a gravidade e o tipo do caso que serão avaliados pelo Especialista.
Para alguns casos, o tratamento inicial é com reforço muscular através da fisioterapia.
Nos demais, o tratamento é a cirurgia . Até pouco tempo, a cirurgia era feita da maneira tradicional com cortes.
Atualmente, o tratamento cirúrgico pode ser realizado por videoartroscopia, isto é, com uso de microcâmeras e mini-cortes na pele.

          
Reinserção do lábio (labrum)

12 - Qual o resultado com o tratamento?

O resultado com o tratamento adequado é bom ou excelente na maioria dos pacientes.
Há um risco de 3 a 8% de chance de o ombro voltar a sair do lugar.

13 - Por que quem era operado de instabilidade antigamente muitas vezes perdia algum movimento? Por que hoje isso raramente ocorre?

Porque antigamente as técnicas cirúrgicas utilizadas eram outras.
Não havia conhecimento adequado da anatomia, biomecânica e dos diferentes tipos de instabilidade do ombro.
Somente com o diagnóstico preciso é que o tratamento correto pode ser realizado.



1 - O que é LER ou DORT?

LER ou DORT não é nome de uma doença. LER ou DORT é o termo usado para agrupar uma série de doenças relacionadas ao trabalho ou esforço repetitivo.
Cada tipo de LER tem um tratamento específico. Por isso, não podemos aceitar um diagnóstico de “LER” ou “tendinite”.
É necessário o diagnóstico correto para que o tratamento adequado seja aplicado e resolutivo.

2 - Quais fatores contribuem para que uma pessoa tenha LER?

Alterações anatômicas, falta de alongamento, má postura, longas jornadas de trabalho sem pausas, esforços repetitivos, móveis ou equipamentos de trabalho mal posicionados, depressão, falta de informações, falta de preparo físico e stress emocional.

3 - Quais são os tipos de LER / DORT?

Os tipos mais freqüentes são:

- síndrome mio-fascial (fibromialgia);
- síndrome do impacto;
- epicondilites do cotovelo;
- tendinites do punho;
- síndromes compressivas de nervos periféricos.

4 - O que é síndrome mio-fascial ou fibromialgia?

É uma doença caracterizada por causar dores musculares, cansaço e indisposição. A dor é o principal sintoma e pode afetar vários grupos musculares.
Outros sintomas são: cansaço, falta de energia para realizar exercícios, dificuldade para dormir, ansiedade, stress, irritação e depressão.

5 - Como diagnosticar a Síndrome mio-fascial? Como tratar?

O diagnóstico é feito através da conversa e exame físico com o Especialista.
Não existem exames específicos laboratoriais ou radiológicos. Convém realizar alguns exames para excluir outros diagnósticos.
O tratamento envolve vários ítens: medicamentos para diminuir a dor e melhorar o sono, atividade física (caminhada, piscina, esportes), massagem relaxante, atividades de lazer para relaxar e diminuir a tensão e, fisioterapia.

6 - O que é tendinite? Como se faz o diagnóstico? Como se trata?

Tendinite é o nome dado à inflamação que ocorre nos tendões. As tendinites podem afetar o punho, cotovelo e ombro.
“Tendinite” (sem especificar os tendões afetados) não é nome de doença. O termo “tendinite” sempre deve vir acompanhado do nome dos tendões afetados. O diagnóstico é feito através da conversa e exame físico com Especialista.
Não existem exames específicos laboratoriais ou radiológicos. Convém, em alguns casos, realizar exames para excluir outros diagnósticos. O tratamento envolve uso de medicamentos, fisioterapia, mudanças de hábitos e postura, reeducação trabalhista e uso de imobilizações.
Raros casos necessitam de cirurgia.

7 - O que é epicondilite? Como se faz o diagnóstico? Como se trata?

Epicondilite é o nome dado à tendinite que afeta o cotovelo.
Pode afetar o lado de fora ( epicondilite lateral ) ou de dentro ( epicondilite medial ). A forma mais freqüente é a lateral, também chamada de cotovelo de tenista . São formas freqüentes de tendinite. O principal sintoma é a dor que piora com o uso da mão, punho e cotovelo. O diagnóstico é feito através da conversa e exame físico com Especialista. Não existem exames específicos laboratoriais ou radiológicos. Convém, em alguns casos, realizar exames para excluir outros diagnósticos.
O tratamento é similar ao das tendinites.

8 - O que são as síndromes compressivas de nervos periféricos?

Síndrome compressiva é o nome dado a doença caracterizada pelo “esmagamento” de um nervo por uma proeminência óssea, por um músculo ou tendão.
Não existe uma única síndrome compressiva. Há vários nervos que podem ser afetados e, cada um deles pode ser afetado em diferentes locais. Dessa forma, existem várias síndromes compressivas com diferentes sintomas e diferentes tratamentos.

9 - Quais são os sintomas mais frequentes das síndromes compressivas? Como se faz o diagnóstico?

O principal sintoma é a dor. O local da dor varia para cada tipo de síndrome compressiva.
Outros sintomas são: dormência (formigamento), fraqueza, perda de força, deixar cair objetos da mão, sensação de choque e atrofia muscular.
Geralmente, os sintomas pioram à noite. O diagnóstico é feito pela conversa e exame físico com Especialista. Para confirmar é realizado um exame chamado eletroneuromiografia. Porém, em algumas síndromes compressivas este exame pode não mostrar a compressão (dar normal).

10 - Qual o tratamento para as síndromes compressivas?

Na maioria dos casos, o tratamento inicial é com medicamentos e fisioterapia.
Quando estes não eliminam os sintomas, tem indicação o tratamento cirúrgico. A cirurgia varia para cada tipo de síndrome.
Não raramente, o paciente pode ter mais de um tipo de síndrome compressiva ou até, outra forma de LER.

11 - LER é incurável?

NÃO! Porém, em alguns casos, o tratamento pode ser complexo e prolongado, envolvendo medicamentos, fisioterapia, atividade física, alongamentos, reeducação nas atividades trabalhistas e, ás vezes, até mudança de setor de atividade profissional.
Em outros casos, a limitação de um melhor resultado pode ser a associação de mais de um tipo de LER.
É ESSENCIAL A PARCIPAÇÃO E DISPOSIÇÃO DO PACIENTE E EMPREGADOR PARA A CURA DA LER/ DORT.





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